Mauro Vieira conversa com Marco Rubio sobre viagem de Lula O governo brasileiro tenta frear a discussão em curso nos Estados Unidos para classificar as facções Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, pelo menos, até a conversa presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington. Segundo fontes da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu por telefone ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que não encaminhe ao Parlamento dos EUA a decisão de classificar PCC e CV como grupos terroristas. A solicitação foi feita porque, se Rubio fizer isso, o Congresso norte-americano tem um prazo de sete dias para fazer a análise (entenda mais abaixo). O chanceler pediu que Rubio aguarde o encontro entre Lula e Trump, já que o governo brasileiro quer mostrar, na reunião, como tem atuado no combate ao crime organizado no país. Lula pretende fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Donald Trump. A ideia inicial era que o encontro ocorresse neste mês de março, mas diante da dificuldade de agendas, uma data ainda não foi acertada. Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Governo atua em outras frentes Em paralelo, a embaixada do Brasil em Washington também atua para frear a análise. Caso Rubio não atenda o pedido, diplomatas brasileiros serão escalados para fazer o corpo a corpo com parlamentares nos EUA. O Ministério da Justiça também prepara uma farta documentação para levar ao encontro com Trump. O chefe da pasta, ministro Wellington César Lima, deve integrar a comitiva presidencial durante a viagem. Um exemplo a ser usado será a Operação Carbono Oculto. O Brasil quer fechar cooperação com os EUA contra o crime organizado e, do lado brasileiro, o tema é tratado como prioridade pra reunião com Trump, que ainda não tem data definida. 🔎A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto do ano passado, é uma megaoperação da Receita Federal e do Ministério Público de SP (Gaeco) que desmantelou uma quadrilha do PCC que lavava dinheiro e fraudava o setor de combustíveis. ➡️O esquema movimentou bilhões, utilizando importação de metanol para adulterar combustíveis e fintechs para ocultar lucros, marcando a maior ação do tipo no Brasil. O argumento do governo é que a forma eficaz de combate ao crime organizado é sufocar a atuação dos criminosos financeiramente. Denominação de terrorismo Segundo o Departamento de Estado do país, para receber a designação de uma organização terrorista estrangeira nos EUA é preciso reunir três condições principais: Ser uma organização estrangeira. Engajar-se em atividade terrorista (ou ter capacidade e intenção de fazê-lo). Representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA (defesa, relações exteriores ou interesses econômicos). Ainda pelas regras do governo norte-americano, a classificação é feita após a elaboração de um dossiê com informações de fontes abertas e sigilosas que comprovem o cumprimento dos critérios legais. A decisão é tomada pelo secretário de Estado em consulta com o Departamento de Justiça e o Tesouro, e precisa ser comunicada ao Congresso, que tem sete dias para analisar a medida. Caso não haja bloqueio, a designação é publicada no registro oficial do governo e passa a valer. Após a publicação, a organização ainda pode recorrer à Justiça americana e também solicitar a revisão ou revogação da classificação caso consiga demonstrar que as circunstâncias que motivaram a decisão mudaram. O que acontece quando um grupo recebe essa designação? A classificação tem consequências legais e políticas, por exemplo: É crime nos EUA fornecer “apoio material” (dinheiro, treinamento, armas, serviços etc.) ao grupo. Ativos financeiros ligados ao grupo podem ser bloqueados e transações proibidas. Membros ou associados podem ter visto negado ou ser deportados. A designação ajuda a isolar o grupo internacionalmente e a cortar seu financiamento.
Governo tenta adiar debate sobre classificação de facções como terroristas até reunião de Lula e Trump
PodCast Escrito em 10/03/2026
Mauro Vieira conversa com Marco Rubio sobre viagem de Lula O governo brasileiro tenta frear a discussão em curso nos Estados Unidos para classificar as facções Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, pelo menos, até a conversa presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington. Segundo fontes da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu por telefone ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que não encaminhe ao Parlamento dos EUA a decisão de classificar PCC e CV como grupos terroristas. A solicitação foi feita porque, se Rubio fizer isso, o Congresso norte-americano tem um prazo de sete dias para fazer a análise (entenda mais abaixo). O chanceler pediu que Rubio aguarde o encontro entre Lula e Trump, já que o governo brasileiro quer mostrar, na reunião, como tem atuado no combate ao crime organizado no país. Lula pretende fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Donald Trump. A ideia inicial era que o encontro ocorresse neste mês de março, mas diante da dificuldade de agendas, uma data ainda não foi acertada. Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Governo atua em outras frentes Em paralelo, a embaixada do Brasil em Washington também atua para frear a análise. Caso Rubio não atenda o pedido, diplomatas brasileiros serão escalados para fazer o corpo a corpo com parlamentares nos EUA. O Ministério da Justiça também prepara uma farta documentação para levar ao encontro com Trump. O chefe da pasta, ministro Wellington César Lima, deve integrar a comitiva presidencial durante a viagem. Um exemplo a ser usado será a Operação Carbono Oculto. O Brasil quer fechar cooperação com os EUA contra o crime organizado e, do lado brasileiro, o tema é tratado como prioridade pra reunião com Trump, que ainda não tem data definida. 🔎A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto do ano passado, é uma megaoperação da Receita Federal e do Ministério Público de SP (Gaeco) que desmantelou uma quadrilha do PCC que lavava dinheiro e fraudava o setor de combustíveis. ➡️O esquema movimentou bilhões, utilizando importação de metanol para adulterar combustíveis e fintechs para ocultar lucros, marcando a maior ação do tipo no Brasil. O argumento do governo é que a forma eficaz de combate ao crime organizado é sufocar a atuação dos criminosos financeiramente. Denominação de terrorismo Segundo o Departamento de Estado do país, para receber a designação de uma organização terrorista estrangeira nos EUA é preciso reunir três condições principais: Ser uma organização estrangeira. Engajar-se em atividade terrorista (ou ter capacidade e intenção de fazê-lo). Representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA (defesa, relações exteriores ou interesses econômicos). Ainda pelas regras do governo norte-americano, a classificação é feita após a elaboração de um dossiê com informações de fontes abertas e sigilosas que comprovem o cumprimento dos critérios legais. A decisão é tomada pelo secretário de Estado em consulta com o Departamento de Justiça e o Tesouro, e precisa ser comunicada ao Congresso, que tem sete dias para analisar a medida. Caso não haja bloqueio, a designação é publicada no registro oficial do governo e passa a valer. Após a publicação, a organização ainda pode recorrer à Justiça americana e também solicitar a revisão ou revogação da classificação caso consiga demonstrar que as circunstâncias que motivaram a decisão mudaram. O que acontece quando um grupo recebe essa designação? A classificação tem consequências legais e políticas, por exemplo: É crime nos EUA fornecer “apoio material” (dinheiro, treinamento, armas, serviços etc.) ao grupo. Ativos financeiros ligados ao grupo podem ser bloqueados e transações proibidas. Membros ou associados podem ter visto negado ou ser deportados. A designação ajuda a isolar o grupo internacionalmente e a cortar seu financiamento.