Casa onde Lula viveu na infância segue de pé em Guarujá após mais de 70 anos; FOTOS

PodCast Escrito em 01/11/2026


Casa onde o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, viveu na infância segue de pé em Guarujá, SP. Ricardo Stuckert e Marcos Romor A casa onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viveu parte da infância em Guarujá, no litoral de São Paulo, permanece de pé mais de sete décadas depois da chegada da família à região. Apesar das transformações pelas quais o bairro passou ao longo dos anos, o imóvel ainda conserva elementos da construção original e mantém viva uma parte da história do presidente da República. A propriedade, localizada na antiga região de Itapema, atual Vicente de Carvalho, pertence à família de Marcos Romor desde a década de 1980, quando foi adquirida pelos avós dele. Atualmente, o imóvel conta com três quartos, além de sala, cozinha e banheiro. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Agora no g1 Ao g1, Marcos contou que, após a morte dos avós, comprou a casa dos tios e realizou uma reforma, preservando parte da estrutura. Atualmente, a mãe dele mora no local. “A casa permanece com a mesma estrutura e tem aproximadamente 100 anos. Meus avós compraram, eles eram amigos do ex-proprietário. Quando os meus avós faleceram, comprei dos meus tios e reformei deixando a parte do chalé intacta, devido aos laços de família”, relatou. Mais de 70 anos depois da chegada dos Silva ao litoral paulista, a construção ainda guarda elementos de sua estrutura original, incluindo uma parede de madeira e os fundos da residência. Veja detalhes que permanecem preservados desde a época em que Lula morou no imóvel A chegada de Lula ao litoral paulista Antes de se tornar o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular, Lula viveu parte da infância em Guarujá. Aos sete anos, deixou o Agreste de Pernambuco com a mãe e os irmãos em uma viagem de mais de 2 mil quilômetros, feita em um caminhão pau de arara. Em 1945, os pais de Lula, Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como Dona Lindu, moravam no sítio Vargem Comprida, em Caetés, no Agreste pernambucano. A região enfrentava um período de seca, que comprometia as lavouras e dificultava o acesso da família a alimentos e água. Aristides Inácio da Silva e Dona Lindu, os pais de Lula Arquivo pessoal/Lula Com a mulher grávida de oito meses e os seis filhos, Aristides decidiu deixar o Nordeste e seguir para São Paulo em busca de trabalho. Ele se estabeleceu no litoral paulista e conseguiu emprego como carregador de sacas de café em um armazém de Santos. Durante esse período, levou consigo, escondida de Dona Lindu, Mocinha, prima de sua mulher, então com 15 anos e grávida dele. Os dois passaram a morar em uma casa de madeira no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Em 1950, Aristides voltou a Pernambuco e reencontrou os filhos. Depois, retornou ao litoral paulista acompanhado de Jaime, irmão de Lula. Dois anos mais tarde, Dona Lindu decidiu reunir as crianças, vender a casa e os poucos pertences que possuíam e partir ao encontro do marido. Primeira foto de Lula, aos 3 anos, ao lado da irmã Maria Baixinha. Arquivo Pessoal/Lula Em dezembro de 1952, aos sete anos, Lula embarcou com a mãe e os irmãos em um caminhão pau de arara. A viagem até o litoral paulista durou 13 dias e 13 noites. Ao longo dos cerca de 2,5 mil quilômetros, a família enfrentou dificuldades para descansar e precisou improvisar abrigos durante o percurso. Depois de chegar ao bairro do Brás, na capital paulista, os retirantes seguiram de táxi e, posteriormente, de balsa até Guarujá. Foi no distrito de Itapema, atual Vicente de Carvalho, que reencontraram Aristides e começaram uma nova etapa da vida. Trabalho e escola em Guarujá Dona Lindu e os filhos passaram a morar em uma casa de madeira na região, que não contava com serviços básicos, como água encanada e energia elétrica. A jornalista e escritora Denise Paraná descreveu as condições da residência no livro Lula, o filho do Brasil. “E assim Lindu, Lula e seus irmãos passaram a morar numa velha casinha de madeira em Vicente de Carvalho, sem água encanada, poço próximo ou luz elétrica, mas muito além daquilo que imaginavam ter um dia na vida”. A chegada ao litoral não significou o fim das dificuldades. Aristides havia formado outra família durante o período em que viveu longe de Dona Lindu e dos filhos. Para ajudar nas despesas, a mãe de Lula recolhia grãos de café que caíam nas calçadas dos armazéns do Porto de Santos e os vendia. Dona Lindu, Lula e seus irmãos Arquivo pessoal/Lula Lula também começou a trabalhar ainda criança para contribuir com a renda familiar. Ao lado do irmão Frei Chico, três anos mais velho, vendia amendoim, tapioca e laranjas no cais de Santos. Mais tarde, passou a trabalhar como engraxate no Centro da cidade. Foi em Guarujá que Lula iniciou a vida escolar. Em 1954, passou a frequentar a Escola Estadual Marcílio Dias, em Vicente de Carvalho, onde estudou até a mudança para São Paulo, em 1956. Ele frequentava as aulas sem que o pai soubesse. Aristides era contrário aos estudos e havia proibido os filhos de estudar e brincar. A convivência familiar foi marcada por conflitos. Em 1955, Dona Lindu decidiu se separar de Aristides. No ano seguinte, mudou-se com os filhos para a capital paulista. A família passou a morar na Vila Carioca, bairro operário no distrito do Ipiranga, em um pequeno cômodo nos fundos de um bar arrendado por um tio. Escola Estadual Marcilio Dias, onde Lula estudou, em Guarujá Google Steet View Duas datas de aniversário A passagem da família pelo litoral paulista também está relacionada a uma particularidade da história de Lula: a divergência entre sua data de nascimento e o registro civil. Embora o presidente comemore o aniversário em 27 de outubro, seus documentos indicam o dia 6 do mesmo mês. A diferença está relacionada às dificuldades enfrentadas pela família para registrar os filhos. Na época, a distância dos cartórios e as condições de vida no interior de Pernambuco dificultavam a emissão dos documentos logo após os nascimentos. Os registros de Lula e dos irmãos foram providenciados posteriormente, já em Santos. Em relato sobre o episódio, Frei Chico contou que Dona Lindu levou ao cartório uma lista com os nomes e as datas de nascimento dos filhos, mas acabou se confundindo durante o atendimento. “Minha mãe foi ao cartório em Santos registrar os filhos. Levou anotado todos as datas e os nomes. Mas acredito que ficou intimidada pela atitude da escrivã, que sugeriu mudar o nome da minha irmã, ali, na hora de Sebastiana para a Ruth, seu próprio nome em sua ‘homenagem’, e ela acabou se atrapalhando com tantas datas”, contou o irmão. Apesar da divergência nos documentos, Lula mantém o dia 27 de outubro como data de comemoração do aniversário. Lula comemorando seu aniversário de 81 anos Ricardo Stuckert Pai de Lula morreu em Guarujá Aristides trabalhou por mais de duas décadas no Porto de Santos como ensacador de café, carregando sacas durante a movimentação de mercadorias no cais. Nos últimos anos de vida, enfrentou problemas relacionados ao alcoolismo e morreu em 1978, em Vicente de Carvalho. Segundo informações do Instituto Lula, ele foi sepultado como indigente. Retornos a Guarujá como presidente Décadas depois de deixar Guarujá ainda criança, Lula voltou ao município em diferentes ocasiões, já como presidente da República. Entre os destinos estava o Forte dos Andradas, instalação militar que conta com estrutura de hospedagem e acesso restrito. O complexo abriga a Praia do Monduba, uma faixa de areia de aproximadamente 400 metros cercada pela Mata Atlântica e cujo acesso é controlado pelo Exército. As visitas ocorreram em diferentes momentos dos mandatos presidenciais e também depois que Lula deixou o cargo: Abril de 2006: estadia para descanso no complexo militar. Janeiro de 2007: período de férias após a posse para o segundo mandato. Fevereiro de 2008: viagem durante o feriado de Carnaval. Janeiro de 2010: período de descanso antes do retorno aos compromissos em Brasília. Janeiro de 2011: já fora da Presidência, Lula passou cerca de 12 dias no Forte com filhos e netos, a convite do Ministério da Defesa e do Exército. Presidente e governador de SP lançaram o edital do Túnel Santos-Guarujá nesta quinta-feira (27) Vanessa Rodrigues/AT